Brincando lá fora.

As crianças estão brincando lá fora. Já está escurecendo. No início, levei um susto. Estou ouvindo eles daqui. Estava ouvindo os gritos daqui. Elas estão no salão de festa. Poxa, elas já tem tão pouco. Vamos deixar elas brincarem. Na minha época tinha muito mais espaço. Hoje em dia a grande preocupação é a segurança. Todos estão muito cercados, mas com um mundo virtual interno sem fronteiras, que não deixa de ser outro mundo. Na minha infância ficavam muitas crianças na rua. Não eram todos os dias, mas sempre durante uma parte do dia íamos à rua. Éramos mais soltos. Dá pra sentir uma certa pressão hoje. Também praticávamos mais esportes na rua. O mundo era mais exterior. Tínhamos mais liberdade. Já chamei eles três vezes.

Hoje está difícil, porque você tem que ficar dividida entre o mundo interior virtual, e o mundo exterior. Uma tremenda adaptação. O mundo mudou, realmente.

Eles acabaram de entrar. E estão na cozinha, conversando sobre lá fora. Não foi um saldo positivo. Aliás, não tem sido há muito tempo. Praticávamos vários esportes na rua. Moro num condomínio pequeno, onde não se joga nem mais bola na rua. O celular é um entretenimento ao toque das mãos. O que antes era corriqueiro, hoje é sofisticação. Não vou escrever aqui sobre o lado social. Nós ficamos menos preocupadas com os filhos seguros. Antes, ficávamos mais tempo nas ruas para entretenimento. Hoje ficamos preocupadas com nossos filhos. É bom as crianças brincarem. Mas com brincadeiras saudáveis. As brincadeiras também mudaram. Não ficamos mais tranquilas no mundo físico, real. No mundo virtual, eles são mais ágeis que a gente.

A brincadeira entre irmãos tornou-se mais saudável. E a cumplicidade também. Espero e torço muito para que eles se deêm bem por muito tempo. Um ponto positivo, é que eles têm a chance, o que é muito importante, de diminuir a distância entre eles, conforme forem crescendo, através do mundo virtual. São irmãos, e isso muda muita coisa. Como a diferença de tempo entre eles é pequena, passam a maior parte do tempo juntos. Estou notando isso nas férias. Fora o período escolar, no qual eles permanecem separados e têm mais contatos físicos com outras crianças. Por enquanto, eles estudam meio período. Então, isso faz muita diferença. Todos vamos dormir no mesmo horário. Juntos. Temos intimidade. Compartilhamos quase tudo juntos. Principalmente brincadeiras. Agora em casa, estão jogando um pouco de bola na sala. Percebo a ingenuidade, e a forma como conversam. Nem sempre é assim lá fora. Estão conversando. Estão dando risada. Estão fazendo barulho. Isso é bom sinal. Eu estou tranquila. E não apreensiva quando como eles vão pra rua ou ficam muito quietos. E ainda há tanto pela frente. Ser criança é tão bom. Nós acabamos por ser mais amáveis com eles desde cedo, como se estivessem perdendo alguma. Isso também acontece de geração para geração. Um pai ou uma mãe não querem que o filho passe o que eles passaram. O nosso comportamento com nossos filhos também mudou. Queremos sempre diminuir a culpa deles sempre quando fazem alguma arte ou uma malcriação, porque achamos que eles já perderam demais, em relação à nossa infãncia.

Quando digo que virou sofisticação, é porque acho que íamos mais aos parques e pricipalmente brincávamos mais nas ruas, em relação à antigamente. Éramos mais soltos e inocentes também. Não havia tanta informação. Hoje, os valores se inverteram. Não é mais corriqueiro brincar na rua. Até isso. Então, recorremos também mais aos parques.

Quando falo em sofisticação, me refiro também ao contato com a natureza. O ambiente, o habitat são diferentes. E queremos que nossos filhos tenham contato com eles. É mais trabalhoso, mas este resultado só vamos sentir lá na frente. É um ambiente mais calmo.

A natureza é mais silenciosa.

Em qualquer esporte, como na equitação, por exemplo. Você se volta mais para dentro de si mesmo. Você se concentra mais. Você interage com outros seres, sejam com seres humanos ou outros animais. Você se distrai mais. Você ri mais. E aprende a respeitar mais também, tanto quanto às pessoas, quanto aos animais.

O celular também é uma distração. Mas dá muito menos trabalho. Não fez parte da nossa infância anteriormente. E como está tudo ao toque de uma mão. Ele é muito mais frequente. Por isso nosso cuidado é redobrado. Porque ele abre espaço para o outro mundo. Um mundo virtual. Na minha época, jogávamos muito mais vídeo games, o que é diferente hoje, ele era mais acessível.

Enfim, o dia está só começando. E a nova geração também.

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