Doutora.

São 15h38. Ainda estou em casa. Vou pegar as crianças na escola 17h15. Chega às 17h00, ficamos ansiosas para pegar eles. Está calor. Hoje vai ser o dia do Mc Donalds. Não vão querer jantar hoje. Fazer um lanche no calor. Dar uma volta de carro. Não estou com muita fome hoje. As crianças estão entretetidas com seus joguinhos. Lembro- me dos plantões que eu já fiz. De quando comecei e de tudo o que já fiz. Já fazem 20 anos. Fora a faculdade. Já trabalhei muito. Mas também ganhei uma vasta experiência. Como nenhuma outra qualquer. Afinal, cada um tem a sua experiência! Foram lugares por onde eu passei. E pessoas que eu conheci. E de todos, eu sempre sai, deixando minhas portas abertas. Contratos vencidos ou mudanças de itinerário mesmo. Não vou citá-los todos aqui, mas os mais importantes. Conheci muita gente. Trabalhei em vários hospitais. Em mais de um ao mesmo tempo várias vezes. Dificilmente, o médico trabalha num lugar só. Passei por muitos lugares em São Paulo. Lembro-me com carinho da Beneficência Portuguesa e do Hospital Presidente. Quando comecei. Meu primeiro emprego. Comprei meu primeiro carro. Financiei ele inteiro. Não dei nada de entrada. Trabalhava na Benifência Portuguesa, fazia residência, e nas minhas folgas dava plantão no Hospital Presidente. Um hospital particular e convênio. Foi no Pronto Socorro de lá que atendi um hematoma subdural, o qual encaminhei direto para a UTI do Hospital Mandaqui. As dores de cabeça continuavam aumentando, mesmo com morfina ou dolantina. Um caso gravíssimo. Após diagnosticado, foi direto para neurocirurgia. O chefe da UTI, Dr. Fernando, era meu amigo. Já o conhecia. E ele aceitou o caso. Havia feito um plantão na UTI do Hospital Mandaqui, quando estava na Beneficência Portuguesa, e nos conhecemos lá. Realmente salvamos esta vida.❤

Foi um sacrífício, muito difícil. A residência exigia muito. Morava dentro dos hospitais. Nem voltava pra casa. Foi há 20 anos. Lembro-me que comecei a dar plantão também no Hospital Voluntários da Pátria nessa época. Era próximo ao Hospital Presidente. Onde encontrei a Mara, minha antiga vizinha, enfermeira padrão. Há cerca de 20 anos. Mãe da Luciane, minha amiga de infância. Como o mundo é pequeno. Elas moravam em Santana. Há mais de 35 anos sem se ver, e nos encontramos no Hospital. Foi o período que eu mais aprendi. E o qual eu mais me dediquei.

Eles estão quietinhos. Estão bem alimentados e calmos.

Trabalhava muito. De segunda a segunda. Eram muitos plantões. Foi minha fase mais produtiva. Lembro-me da Intermédica, na qual trabalhei depois do PSF. Em que os pacientes faziam amizade com você, e sempre retornavam à consulta. Era do lado de casa. Fiquei por lá um bom tempo. Trabalhava em São Miguel. Trabalhei na unidade de Itaquera também. Tive bons chefes na Intermédica, adorava eles. Dra. Leiliane e Dr. Chein. Saudades. Lembro-me também do PSF do Santa Marcelina, que entrei em cerca de 2002. Eu ia sair, a população fez um abaixo assinado pra eu ficar. A enfermeira chefe do PSF também era um amor, Elizabete. Não que eu esteja me elogiando. Mas fizemos um ótimo trabalho naquela comunidade. E eu era muito querida, tanto pela equipe, quanto pela comunidade. E não só eu. Estavam acostumados comigo. Não queriam ficar desamparados. Sempre me traziam frutas da feira ou bolos. Os tratamentos davam certo. Havia acabado de sair de uma residência de Cardiologia. O enfermeiro Vinícius, um rapaz negro e alto, foi um grande amigo. Nos dávamos muito bem. Fazíamos visitas às casas. Conhecíamos a comunidade. Os pacientes que frequentavam o posto eram sempre os mesmos. Estavam acostumados a sempre dar uma passada no posto de saúde. A população carente. Os pacientes crônicos. As pessoas eram quase sempre as mesmas. O que quero dizer é que algumas dessas pessoas estavam sempre no posto. Estavam sempre por lá. Trabalhávamos com as agentes comunitárias. A Alice, uma delas, que conheço até hoje e mantenho contato. Era uma excelente amiga. Criou as duas filhas sozinha. Foi ela quem coordenou o abaixo assassinado na época para eu ficar. Logo que me formei, também fui trabalhar no PSF, após o Hospital Presidente e Hospital Voluntários da Pátria. Trabalhei naquele Hospital até ele fechar suas portas. Mantenho contato com ela até hoje. Há 20 anos. Trabalhei vários anos no PSF. Mudava de áreas às vezes. A enfermeira Kelly, outra enfermeira com a qual trabalhei, um amor de pessoa do PSF Santa Luzia. Nos dávamos superbem. Nunca tive problemas de relacionamentos com minhas equipes do PSF. Nosso relacinamento era ótimo. Eu sempre fui alegre, e sempre resolvíamos nossos problemas em reunião. A Luciane do agendamento também era minha amiga. E Geane, agente comunitària, com quem eu dava várias risadas. Ela veio me visitar quando a Sarah nasceu, há cerca de 10 anos. Aconteceu tanta coisa, na época do PSF Santa Luzia. Eu era casada com outra pessoa. Não tinha filhos. Nossas histórias mudaram completamente. Nessa época. De todas nós. Fazem cerca de 10 anos. Na mesma época também trabalhava no Hospital de Itaquaquecetuba, cerca de 2009. Dificilmente, o médico trabalha num lugar só, como eu disse anteriormente. Lá também dava plantão com o Zé Roberto. Trabalhamos juntos por vários anos. No Estado também. Pela Prefeitura de Itaquequecetuba, pelo Estado e pelas AMAS. Outro pediatra. Um parceiro de trabalho. Um senhor já, que estava formando as duas filhas em medicina. Ele trabalhava muito. Dia e noite, para sustentar as filhas, quase todos os dias. Nós trabalhávamos muito. Nós trabalhávamos juntos também nas AMAS. Os plantões das AMAS, pelo Santa Marcelina. Trabalhei em várias AMAS. Passei por várias AMAS do Santa Marcelina. A Cooperativa Médica Nacional. Que me encaminhava para fazer plantões em vários lugares. Já fiz plantões também em home care quando estava grávida da Sarah. Há cerca de 10 anos. Foi quando eu passei a trabalhar para o governo do Estado. Passou rápido. Plantões na Maternidade do Jardim Helena. Meu Deus!!! Assim que comecei. Fazia partos. Há cerca de 20 anos. São inúmeras as lembranças. São inúmeros os lugares pelos quais passei. Trabalhei como Cardiologista com o Dr. Turqueto, no Hospital Santo Expedito, na Jacu Pêssego. Há 20 anos. Estava na residência. Num plantão na Clínica Médica. Fiz um parto de madrugada, como clínica, nasceu rápido, já chegou nascendo. Foi susto. Mas estava tudo sob controle e o bebê nasceu bem. Eu que fiz o parto. Fizemos muitos partos durante o estágio de G.O. na faculdade. Aprendemos muito e pegamos prática. Eram cerca de 20 partos por dia. Na residência, também cheguei a dar plantão numa clínica em Santo Amaro. Muito longe daqui, onde moro. Mal tinha um conforto. Era muito pequena. Foram muitas aventuras também.

Em Várzea Paulista, o garotinho que chegou havia engolido um parafuso tão grande, que estava atravessado na sua garganta. Foi um milagre. O garotinho já estava perdendo suas forças, em situação de tórax instável gravíssimo, agonizando. Pingávamos de suor na tentativa de retirada do parafuso. Esse foi um plantão marcante. Realmente salvamos mais uma vida.❤ Comecei no Estado há cerca de 10 anos. Antes da Sarah nascer. Fiz plantões no Hospital Geral de Guainazes, No Hospital Regional de Ferraz e no Hospital Geral de São Mateus.

No Geral de São Mateus trabalhava no Pronto Socorro e no Ambulatório de Alta Complexidade. Perdi minha saúde durante um período este ano. E a perícia do Estado não aceita atestados médicos. Porque o meu quadro se estendeu por um período de tempo um pouco maior. E já passei por este problema uma vez no INSS, e meus atestados não foram aceitos. Não sendo aceitos, após verificação pelo Estado, o próprio te convoca para explicar as faltas. Não sendo aceitos, você fica com faltas. Fui à Procuradoria Geral do Estado este ano, e o processo está sendo analisado. Levei minha carteirinha com as consultas agendadas, e a perita do Estado fotografou esta carteirinha como prova de que realmente me encontrava em tratamento. Estou tranquila.

Logo que me formei, também fiz plantões no Hospital Indepência, na Av. São Miguel. Trabalhei pouco tempo por lá.

Também trabalhei no PSF de Poá e no Hospital de Poá. Também gostava de trabalhar em Poá. Meu tio Nelson, irmão da minha mãe, que me apresentou lá. Ele também é da área da saúde. Pena que venceu o contrato. O Pronto Socorro era mais tranquilo que o PSF. São boas lembranças que vou carregar para sempre comigo.E a população parecia do interior. Eram pessoas muito simples.

Presente do meu amigo e companheiro de plantão, Porfírio. Bombons de Pistache. Adorei! Em 2016, voltei a trabalhar em Itaquaquecetuba. Quem me levou até lá foi um amigo, Porfírio, que trabalhava também comigo no Estado. E foi um período muito bom. Recente. Havia trabalhado lá somente em 2009. O Hospital de lá havia sido desativado. E trabalhei em um pronto atendimento, CS 24HORAS. Foram dois anos muito produtivos e muito bem aproveitados. Fiz muitas amizades. Os plantões eram lotados, mas transcorriam bem. Melhores que o do Hospital. Guardei boas lembranças de lá. Principalmente da minha equipe, o grupo de médicos e da enfermagem, que faziam plantão comigo, no dia de nossos plantões. Adoraria voltar a trabalhar lá. ❤

Essa maleta de carimbos era do Kleber. Outro amigo, que também trabalha muito, e usa os carimbos para facilitar o atendimento. Atualmente estou trabalhando no Hospital Municipal Vereador José Storopolli, na Vila Maria. ❤ E estou muito feliz.

2 comentários em “Doutora.”

  1. Gostei,da narrativa de toda tua trajetória, de como vc superou as diferentes fases de tua vida, sempre com êxitos e vitorias.
    Al lembranças são as que ficam dentro de nosso ser.

    Curtir

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s